O prato da árvore da vida • The tree of life plate

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Algumas colchas de Castelo Branco representam a árvore da vida, símbolo muito antigo e comum a várias religiões, inclusive ao Cristianismo: “Porque as suas raízes se mergulham na terra e os seus ramos se elevam no céu, a árvore é universalmente considerada como um símbolo das relações que se estabelecem entre o céu e a terra.” A árvore também pode representar o processo de criação do universo ou o processo da evolução humana.

Some bedspreads from Castelo Branco, in Portugal, represent the tree of life, an ancient symbol common to many religious beliefs, including Christianity: “Because their roots are immersed in the earth and its branches rise up to the heavens, the tree is universally regarded as a symbol of the relations established between heaven and earth.” This tree can also represent the process of creation of the universe or the process of human evolution.

 

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A decoração deste prato com pintura original de meados do século XIX, com proveniência de uma oficina de Gaia ou do Porto, mais não é do que a representação de uma árvore da vida, adaptada ao formato circular de um prato. O crescimento dos ramos que procuram a luminosidade dos céus desenvolve-se num movimento em espiral pintado a partir do centro, em direcção aos bordos desta peça de loiça.

The decoration of this plate, originally from a 19th century workshop in Gaia or Porto, in Portugal, is nothing more than the representation of a tree of life, only adapted to the circular shape of a plate. The painting of the branches seeking the brightness of the heavens develops into a moving spiral painted from the center outwards.

 

arvore da Vida 11Mas, em meados do século XIX, conheceriam os ceramistas fracamente instruídos de uma qualquer oficina de Gaia ou do Porto, o significado da árvore da vida?

Talvez não soubessem explicar com palavras de gente erudita o significado, mas já teriam visto colchas de Castelo Branco e frontais de altar com azulejos com esse motivo, ou ainda árvores de Jessé, nas igrejas que frequentariam, que certamente os impressionaram. Os padres também não deixariam decerto de evocar este simbolismo da árvore nas suas sermoneias. Por conseguinte, seria natural que, quando estes ceramistas pegassem no pincel, esta imagem da árvore a desenvolver-se em direcção ao céu lhes surgisse como algo poderoso, que desejassem reproduzir num prato.

Hoje, mais de cento e cinquenta anos depois, o motivo deste prato mantém intacto o seu fascínio simbólico.

But in the mid-19th century, would the uneducated painters know the meaning of the tree of life?

Maybe they didn’t know how to explain it with words of erudite people, but they would have seen bedspreads from Castelo Branco and altar frontals tiled with this subject, or even the trees of Jesse in the churches that they’d attend, which would certainly impress them. The priests would almost certainly evoke this symbolism of the tree during their ceremonies. So this image of a tree reaching the skies would come natural to the painters, and they would try to reproduce it in a plate.

Today, a good one hundred and fifty years later, this pattern is still regarded with a great symbolic fascination.

 

Baseado no texto do blog/ Based on the text of the blog: http://velhariasdoluis.blogspot.pt

Fontes das imagens/ Sources of the pictures: http://pensamentospoesiaemanuel.blogspot.pt; http://lusitaniatradition.com

2 comments to O prato da árvore da vida • The tree of life plate

  1. Caro Jorge

    Sinto-me muito honrado pelo facto de o meu prato ter sido reproduzido numa oficina contemporânea de cerâmica. Acho muito interessante esse seu trabalho de se inspirar na tradição.

    Aliás, é curioso observar o sucesso que o motivo cavalinho teve novamente nos nossos dias. Os supermercados Continente vendem milhares de pratos por mês com o célebre motivo da Fábrica de Sacavém.

    Portanto, julgo que há um nicho de mercado grande de gente que estaria disposta a comprar porcelanas ou faianças com motivos inspirados no passado.

    Um abraço

  2. admin diz:

    Caro Luís
    Muito obrigado pela sua visita a este pequeno cantinho e obrigado pelo seu comentário.
    Finalmente, desde há 20 anos, que fico agradado com o interesse cada vez maior nas tradições, nos hábitos, na história e nas estórias da faiança portuguesa, que, sem a sua colaboração (e de outros também), seria bem mais difícil de reconstruir e redescobrir esses tesouros.
    Abraço

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